Porque se o José Wilker pode, eu também posso.

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Eu sou o número quatro

(I am number four. D J Caruso, 2011)



Eu Sou O Número Quatro

Ou

Mas... Mas... Mas... Mas... Roteiro, Cadê?



“Eu sou o número 4” é aquele filme que todo mundo viu o trailer e meio que não sabia muito bem o que esperar.Sim, pq até o trailer dessa coisa é confuso. Mas, como tinham explosões em neon azul, toca assistir pq a esperança de ser válido é sempre a última que morre.
Tenho certeza que já vi filme com roteiro (de modo geral) pior do que esse. Agora, com roteiro mais mal explicado... A galera esquece que não é só me dar a premissa básica, você tem que completar com a resposta de algumas perguntas óbvias (como “por que diabos eles estão na Terra?”, só para dar um pequeno exemplo) do contrário o filme inteiro perde o sentido. Não vou nem perder tempo pedindo desenvolvimento de personagem em filme de ação adolescente – claro que seria legal se tivesse algum, mas... sabe... sou realista – mas o mínimo que eles podiam fazer era sentar e só ler o roteiro. Pq se alguém tivesse parado para ler a coisa toda, veria como um geral esse filme não faz o menor sentido.
E não, não acho que é pq vai ter continuação (é, o final é um gancho descarado para um próximo, que acredito que será feito, uma vez que esse filme deu um lucro apreciável) que decidiram deixar pra responder as dúvidas no segundo filme. Acho que eles nem mesmo pensaram nas dúvidas em primeiro lugar.
Tirando o queijo suíço como roteiro, o filme é bem normal-medíocre. Nem mesmo os efeitos especiais são tão impressionantes assim (não são ruins, mas tem coisa bem melhor sendo feita por aí). No fim das contas, você sai da sala do cinema com aquela sensação de que “okay, já vi coisas bem piores, mas que podia ter sido bem melhor, podia”. Sem contar a sua incapacidade de explicar “sobre o que é o filme” quando te perguntam...

[Não sei se pode ser considerado spoiler quando é mais óbvio do que o final das piadas da “Praça é nossa”, mas... por vias das dúvidas, estou avisando]



Cena: prólogo em alguma floresta

[Basicamente: um cara e um adolescente (número 1) dormem em uma cama com mosquiteiros. São atacados por um vulto monstruoso. O cara morre de primeira. O adolescente ainda corre e dá uns pulos pela floresta antes de ser capturado por um alien humanóide com a cabeça tatuada, que acaba matando o dito e o transformando em cinza.]


Cena: alguma praia americana, onde todas as pessoas brancas e magras se reúnem, dançam, bebem e andam de jet-sky por cima de um mar azul

NÚMERO QUATRO
(dá um duplo twist carpado com o jet-sky)

PIRIGUETE DE BIQUINI
Radical. Acho que quero te pegar no mar. Mas só depois que anoitecer, pode ser?

[Eles estão na água, conversando, quando a perna do Número 4 começa a arder e brilhar. Ele afoga e vê, embaixo da água, um rosto de fumaça que diz algo do tipo “logo será a sua vez” ou “sinta o que está por vir”. Bem Mufasa da parte do roteiro. E completamente irrelevante.]

PIRIGUETE DE BIQUINI
Ai meu Deus, está saindo luz da perna dele! Aberração! Fujam pras colinas.

NÚMERO QUATRO
(se arrasta até a orla, e aparentemente é deixado lá por todos seus amigos, já que o dia amanhece e ele ainda está largado no chão).


Cena: em que os “hãn?” começam

MENTOR MAIS VELHO QUE VAI ACABAR MORRENDO PARA SERVIR DE MOTIVAÇÃO PARA O DESENVOLVIMENTO PESSOAL DO HERÓI (ou só Mentor)
(surgindo do nada com uma espada na mão)
O número três está morto.

NÚMERO QUATRO
É, eu sei. Esqueceu que aparecem esses símbolos bizarros na minha perna, tipo queimadura de gado, quando mais um de nós morre? Agora tenho três.

MENTOR
Temos que ir embora.
(tacam fogo nos pertences pessoais e entram no carro. A câmera dá um zoom e acompanha por vários segundos enquanto uma espécie de lagarto entra no porta-malas.
Imagino se será importante mais tarde...)
Enquanto estamos dirigindo pelas estradas vazias dos Estados Unidos, bem que você podia explicar, em narração voice-over é claro, o que os roteiristas chamam de roteiro pra esse filme.

NARRAÇÃO VOICE-OVER
Ah, não. De novo, não. Exijo um aumento!

NÚMERO QUATRO
Claro. Bom, eu sou um alien do planeta ________. Por alguma razão nunca mencionada na narrativa me mandaram pra Terra e todos do meu planeta morreram. Só sobraram nove de nós. Cada um tem um protetor – que, embora também não tenha sido mencionado devem ser habitante do meu antigo planeta também. Não sei pq digo que existiam nove e não dezoito de nós... Talvez não considere os empregados como habitantes dignos?
De qualquer forma, por alguma razão nunca mencionada tem uma raça de aliens maligna atrás de nós. Mais uma vez sem qualquer explicação os aliens nos matam em sequência. Logo, eu sou o próximo a morrer. E acho que é isso por enquanto.

ALIENS MALIGNOS
Certeza que temos uma forma intergaláctica de TOC.

MENTOR
Esqueceu da Caixa Especial que estou guardando para te entregar na hora certa...


Cena: Paradise, Ohio (metafórico? Só o tempo dirá)

[O lagarto sai do porta-malas, passa por detrás de uma moita, a moita chacoalha e aparece um cachorro do outro lado. Boa tentativa de economizar nos efeitos especiais, galera.]

MOÇA NA MINHA FRENTE NO CINEMA
Mas, pera, esse cachorro é a lagartixa?

NAMORADO DA MOÇA NA MINHA FRENTE NO CINEMA
Não... não sei. É?

NÚMERO QUATRO
Mi mi mi essa casa é muito velha mi mi mi não posso ficar aqui trancado mi mi mi quero ir pra escola mi mi mi olha, um cachorro perdido! Posso ficar com ele? Posso, posso? Por favor, diz que sim, diz que sim, diz que sim, sim?

MENTOR
Putz, como você é chato. Ta, fica com o cachorro. Mas nada de escola.

NÚMERO QUATRO
Deixa, vai. Prometo que sei passar despercebido. Que dizer, quem vai notar um cara gostoso, alto, bonito? Super sussa.

MENTOR
Ok, mas vou ligar de hora em hora pra saber se v está bem. Se não atender, apareço.


Cena: oi, edição, tudo bem com você?

LOIRA X
(explode uma casa e sai andando de óculos escuros do local)

A cena termina tão abruptamente como começou, e a Loira X só volta no fim do filme.
Pois é.



Cena: colegial, quando de repente o filme se transforma em uma comédia romântica adolescente da sessão da tarde. E fica assim por muito mais tempo do que deveria.

QUINN DO GLEE
(linda, loira e de boina, pq ela é a fotografa sensível da escola)
*passa pelo corredor*

NÚMERO QUATRO
*baba*

VALENTÃO DO COLÉGIO
E aê, novato? Por alguma razão não explicada estou sendo legal com vc, mesmo sendo um filho da puta com o Nerd Ufólogo. É claro que é só até você dar em cima da minha ex... sabe que a Única Menina Bonita Do Colégio é obrigada pela lei que rege os clichês colegiais a ser a minha ex-namorada, não sabe?

NERD UFÓLOGO
(leva uma bolada na cara do Grupo De Amigos Do Valentão)

NÚMERO QUATRO
*defende os fracos e oprimidos*

QUINN DO GLEE
*fica impressionada*

menos de seis trocas de cenas depois, eles se amam como só mesmo protagonistas de Malhação conseguem se amar.


Cena: os Aliens Malignos estão no supermercado! Sério mesmo, gente.

ALIEN MALIGNO PRINCIPAL
(de casaco preto, compra um monte de perus e um litro de leite)

CAIXA DO SUPERMERCADO
Dinheiro ou cartão?

E a edição não nos mostra como o nosso querido Alien, vilão que quer destruir o mundo, pagou pela sua compra. Não é lindo quando uma raça alienígena que está interessada em acabar com a humanidade pode usa Visa?


CAPANGA DO ALIEN MALIGNO PRINCIPAL
(usa os perus para alimentar um monstro que está na traseira de um caminhão. Pq se alimentar de crianças recém-nascidas seria bárbaro demais...)


Cena: é um pássaro? É um avião? Não, é uma Lanterna Humana!

NÚMERO QUATRO
(está super de boa vendo um documentário numa aula quando suas mãos começam a brilhar azul. Ele sai correndo, todo agoniado, e se esconde no armário do zelador.)

MENTOR
(surge, de alguma forma sabendo exatamente onde nosso herói estava)
Feche os olhos e tente controlar a força.

NÚMERO QUATRO
(faz isso e sua mão para de brilhar. Legal que ele passou os últimos minutos em posição fetal, gritando dentro de um armário – e ninguém da escola pensou em checar o que estava havendo – mas nem ao menos tentou controlar a luz.)

MENTOR
Isso quer dizer que seus poderes estão acordando. Você tem alguns dons. Não sei muito bem se todo mundo no planeta tinha, ou se só os nove que vieram pra cá têm, mas que seja. Não é pra você dar bandeira com seus super-poderes, ok?

Super poderes que consistem de: super velocidade, super força, explodir luzes de poste com as mãos (os aliens malvados se recusam a roubar um mísero supermercado, enquanto o alien bom fica pela cidade destruindo propriedade pública. Alguém consegue vê alguma disparidade?), levitar a galera e soltar uma luz azul da mão que deve ser muito útil quando acaba a energia e você não consegue encontrar os fósforos.


Cena: festival da primavera na cidade

NÚMERO QUATRO
Não sei o que fazer... vou ou não vou me encontrar com o meu par romântico? Estou apaixonado por ela (e, segundo meu Mentor, nossa raça é tipo os papagaios: a gente acasala pra vida), mas ao mesmo tempo o Valentão me disse para ficar longe... ó, dúvida cruel.

[Ele acaba indo. Os dois saem para passear no túnel do terror ou algo do tipo – pq você é o próximo na lista de morte de uma raça alienígena cruel e fica andando por aí, desprotegido e a noite, no meio da floresta. De qualquer forma, são atacados pelo Grupo De Amigos Do Valentão.]

QUINN DO GLEE
(grita enquanto alguém a carrega nas costas, estilo saco de batata)
Socorro!

NERD UFÓLOGO
(que já estava seguindo os dois antes de ouvir os gritos – perv alert)
O que será que está acontecendo?
(ele corre e chega a tempo de ver nosso herói jogando luz azul na cara da galera)


Enquanto isso, do outro lado da floresta...

VALENTÃO
Te raptei pra que a gente pudesse conversar. Ainda te amo, Quinn.

QUINN DO GLEE
Você tem sérios problemas psicológicos. E parece uma versão mais doente do Cilian Murphy.

NÚMERO QUATRO
(aparece e quase quebra o braço do Valentão. Então entra em uma mini-crise sobre quase ter perdido o controle. Que passa logo em seguida, então você pode respirar aliviado que ninguém vai tentar desenvolver personagem nesse filme não.)


Cena: alguém pode, por favor, fazer sentido?

NERD UFÓLOGO
Pois eu vi vc soltando luz azul das mãos! Isso é a prova de que é um alien. E, você sendo um alien prova que meu pai – que era ufólogo e sumiu faz anos – não abandonou a família, e sim foi abduzido!

TIAZINHA
E ainda por cima colocam um chip no seu pescoço. Não recomendo.

NÚMERO QUATRO
Tudo bem, admito. Mas não pode contar pra ninguém, já que querem me matar e tals.

Legal de ver que é de madrugada, e nada do Mentor ligar pro nosso herói. Quer dizer, faz todo sentido ele ficar em cima quando o Número 4 está protegido pelos muros da escola, mas estar de boa quando o cara está sozinho, pelas ruas, de madrugada.

XERIFE DA CIDADE
(na manhã seguinte)
Então, eu sou o pai do Valentão. Ninguém quer me contar nada, mas de alguma forma mágica sei que você está envolvido no braço do meu filho quase ter sido quebrado ontem.

NÚMERO QUATRO
Nada a declarar.

XERIFE DA CIDADE
(faz cara de mau, e repara nas câmeras de segurança em volta da propriedade)

MENTOR
Como assim, lutou com quatro ontem? Não sabe mesmo brincar de ser incógnito. Vamos embora daqui. Faça as malas.

NÚMERO QUATRO
Não. Estou apaixonado.

MENTOR
Sabe que seus pais morreram pra te salvar, né? E que você e mais os outros cinco são a única esperança da humanidade de ser salva dos Aliens Malignos.

NÚMERO QUATRO
Como podia saber? O roteiro só pensou em mencionar isso agora! Então quer dizer que os Aliens Malignos querem destruir o mundo? O que diabos eles estão esperando? Quer dizer, estão nos caçando faz vinte anos já. O que os impede de destruir a Terra e nos caçar ao mesmo tempo?

ALIENS MALIGNOS
Já não dissemos que temos TOC intergaláctico?

NÚMERO QUATRO
E pq eles querem nos matar tanto assim? A ponto de seguir a gente pra outro planeta, e passar anos nos caçando? Sabe, é só usarem uma estrela da morte e explodem tudo por aqui, e a gente vai junto nessa conta.

MENTOR
Quer parar de fazer perguntas e focar no... ahm.... hum... é... então.


Cena: gente, mas que absurdo.

[Basicamente: os Aliens Malignos se juntaram com uns Humanos Que Assistiram Arquivo X Demais e capturam o mentor pra servir de isca. Mas bem na hora que nosso herói chega pra resgatar o “pai”, os aliens tinham saído. Pq, você não dá uma volta pra tomar o ar no meio de uma cilada? De qualquer forma, os aliens voltam, eles lutam, coisas explodem, e o Mentor leva uma espadada na barriga.
Demorou pra morrer, hein.]

MENTOR
(deitado na beira da estrada, sangrando. Número 4 nem mesmo tenta levar o pobre coitado no médico. As vezes tinha cura, sabe.)
Agora é o momento de dizer algo clichê-motivacional que irá repetir mais pro fim do filme. Preparado?

NÚMERO QUATRO
Manda.

MENTOR
Você não sabe do que é capaz.

NÚMERO QUATRO
Nossa. Isso foi o melhor que você pôde fazer?

ROTEIRO DO FILME
Reclama não. Durante muito tempo ia ser há uma força dentro de você, mas ficamos com medo do Geroge Lucas processar.

[Aí o Mentor morre. E um trem passa (de novo, metafórico?). E o nosso herói decide ir atrás do par romântico em uma festa meros segundos depois de ver sua figura paterna virar cinzas. Sensibilidade é para os fracos mesmo, viu.]

GALERA QUE ESTÁ NA FESTA
(começa a cochichar loucamente quando nosso herói passa)

NÚMERO QUATRO
(sobe no telhado, que é exatamente onde seu par romântico está – sentada e em crise)

QUINN DO GLEE
Você mentiu pra mim! Estão dizendo que você e seu pai são terroristas.

NÚMERO QUATRO
Oi?

QUINN DO GLEE
É. Invadiram sua casa e descobriram equipamentos e identidades falsas.

NÚMERO QUATRO
Mano, como? A polícia precisa de um mandato pra entrar na minha propriedade, e precisa de uma acusação e alguma prova pra conseguir um desse. Não é só ir entrando. Nem circunstancial existia no meu caso, pq não estou sendo acusado de nada, já que ninguém falou pro Xerife que bati no Bando De Amigos Do Valentão.

[Não é como se o roteiro fosse começar a se preocupar com lógica nesse momento, não é mesmo? E a gente continua o non sequitur com os Aliens Malignos parando o Valentão e dizendo que ele tem que mostrar onde o Número Quatro está.
O que só está mesmo implorando pela pergunta: como eles podem saber que o Valentão conhece o Número Quatro? Ou foi pura sorte? Para o primeiro carro que ver, e cruza os dedos na esperança da pessoa saber onde está seu inimigo?]


Cena: escola

NÚMERO QUATRO
Sabe que estou sendo perseguido pela polícia, não sabe? E que acabei de virar uma viatura no ar, na frente de vários adolescentes com celular. Certeza que meu vídeo já está no youtube. Acha que é prudente irmos pro colégio?

QUINN DO GLEE
Aham. Tenho que revelar essas fotos suas, só assim poderei conhecer seu verdadeiro eu e saber se estou mesmo apaixonada.

[Enquanto o casal tem o seu momento de aprofundamento de relação, o Nerd Ufólogo vê quando os Aliens Malignos soltam seus monstros: duas cópias de computação gráfica do Monstro De Cloverfield. Nesse momento o lagarto-cachorro se transforma em alguma coisa não identificada e parte pra luta contra um dos monstros.]


Cena: lembra da Loira X do começo do filme? Então, ela voltou.

LOIRA X
(aparece, destrói todos os Aliens Malignos presentes no corredor da escola e salva o dia)

NÚMERO QUATRO
Quem é você?

LOIRA X
Sou a Número 6. E sou bem mais bad-ass do que você jamais será.

NERD UFÓLOGO
(aparece)
O lugar está cercado de Aliens! Sem contar que o seu cachorro virou um monstro gigante!

LOIRA X
Mas claro que virou. Ele é uma quimera. É do nosso planeta.

NÚMERO QUATRO
É sinal de como esse roteiro é uma coisa zuada que vou deixar essa passar sem nem mesmo mover a sobrancelha. Vamos partir pra umas cenas de luta e efeitos especiais que a gente ganha mais, pode ser?

[Enquanto isso, o Cachorro Transformista luta contra um dos Monstros De Cloverfield no banheiro. Água espalha para todos os lados. O cachorro cai. Quando o Monstro se prepara para dar o último bote... ele escorrega no chão molhado e o Cachorro mata a criatura.
Até agora não sei se foi tosco-intencional ou só tosco mesmo.]


Cena: grande batalha épica final que dura muito pouco tempo

[Todos correm, lutam, desviam de luzes azuis e vermelhas, coisas explodem, e em menos de cinco minutos Número 4 e Loira X acabaram com praticamente todos os aliens malignos.
Hm. Quem diria que seria tão fácil, não? Se pá se vocês tivessem ido atrás dos malditos ao invés de ficarem sentados esperando para morrer, teria poupado um trabalho e tanto
Raça alienígena retardada.
De qualquer forma, Número 4 consegue prender o Líder Dos Aliens Malignos e está prestes a matá-lo... e está prestes a matá-lo... e continua pestes a matá-lo por cerca de sete segundos, que é o tempo suficiente para o Monstro De Cloverfield atacar a Loira X.]

LOIRA X
Número 4, me ajuda!

NÚMERO QUATRO
Claro.
(ele solta o Líder Dos Aliens Malignos – pq, afinal, ele não pode gastar mais 2 segundos pra matar o cara, precisa dar toda a sua atenção para a Loira X.)

[Aí o Número 4 salva a Loira X, mas enquanto isso o Líder se recuperou e agora está pronto para matar o nosso herói... oh, não, como será que isso vai terminar??]

NÚMERO QUATRO
(textual)
Você não sabe do que eu sou capaz.
(explode uma das bombas no cinto do Líder – pq diabos ele não fez isso antes? Deus, que pessoa idiota – e graças ao campo de força da Loira X Em Pose De Foto Da Playboy ninguém importante morre.)


Cena: todos prontos para Eu Sou o Número Cinco?

NÚMERO QUATRO
Bom, é isso. Agora vamos juntas das duas partes das pedras que servem como GPS e assim vamos ficar sabendo onde estão os outros da nossa espécie.

LOIRA X
Claro. Exceto que... bom, nossos inimigos foram derrotados. Logo, não tem mais ninguém atrás da gente, então podíamos muito bem deixar os outros em paz. A não ser que eles não fossem os únicos da raça... mas se esse for o caso, pq não mandaram logo um exército de aliens tatuados pra destruir a Terra e acabar com apenas nove de nós?

NÚMERO QUATRO
Quer parar de tentar racionalizar esse filme? O importante é que vamos fazer uma continuação. E, pra isso, o Nerd Ufologo vai com a gente. Temos que achar o pai dele. E meu cachorro transformista também.

QUINN DO GLEE
E eu espero você voltar.

VALENTÃO DO COLÉGIO
E eu roubei a sua Caixa Especial da sala de evidências. O que é crime, mas beleza. Pior do que o crime é o fato de que mudei de água para o vinho totalmente do nada. O único personagem não-plano desse filme, e meu desenvolvimento pessoal acontece off-screen. Falar nada, viu.

NÚMERO QUATRO
Ótimo. Bora então acabar com o filme? E vamos logo antes que comecem a perceber como praticamente nada nesse roteiro faz o menor sentido...


FIM

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Sucker Punch - Mundo Surreal

(Sucker Punch. Zach Snyder, 2011)


Sucker Punch – Mundo Surreal

Ou

Quer Saber Como É Cair Em Um Cérebro De Um Adolescente De 15 Anos? Agora Sabe.


Garoto Genérico 1: Nossa, sabe o que é muito da hora? Quando tem explosão no filme!
Garoto genérico 2: Massa, né? Mas eu prefiro quando tem mulher...
Garoto Genérico 1: Mano, imagina como ia ser se tivesse um filme com explosão e mulher ao mesmo tempo! E tivesse SÓ isso?
E assim surgiu “Sucker Punch”.
Não faço ideia do que estava esperando. Mas com certeza não estava esperando o amontoado de cenas que só estavam lá para marcarem o tempo entre as cenas em que a protagonista, de barriga de fora, saia curtinha e decote, pulava e mostrava a calcinha no meio de explosões. Nada contra, pessoalmente, se você gosta desse tipo de filme. Cada um com seus fetiches e tal. Mas ao menos filme pornô nem mesmo tenta ter um roteiro, pq sabe mto bem que o público alvo está pouco se lixando pra “história”. Já "Sucker Punch" não só se leva absurdamente a serio, como pensa que é um filme inspirador e metafórico-profundo por trás de toda a coisa da ninfeta-lutando-com-zumbis-nazistas (bem que eu gostaria que fosse, mas não é uma piada). Foi como ver "Eu Sou A Lenda" – não, a história do Will Smith sozinho no mundo não foi inspiradora e não me deixou com vontade de mudar pra África e salvar o mundo. Do mesmo jeito que "Sucker Punch" não vai te fazer, de maneira alguma, considerar desligar a televisão e ler um livro e reavaliar a maneira como vc encara a realidade.
E sabe qual é a pior parte? Até as cenas de ação desse filme eram monótonas. Ok, talvez o fato de não ser dotada de um cromossomo Y não me permita ter o mesmo nível de apreciação pelo quadro geral da coisa, mas costumo gostar de filmes de ação – ao menos pelo seu quociente absurdo-mas-divertido. Dessa vez, nem isso.
E nem me venha com essa de que é “bem mais profundo do que parece”. Se quiser, sou capaz de achar um significado oculto em "American Pie". Quer dizer, Pedro Bial não utiliza os participantes de um reality show pra falar sobre a humanidade? Achar coisas onde não existe é fácil. Difícil é elas existirem em primeiro lugar.


[Apresentando o novo método de medida para os Níveis De Ridículo De Um filme, utilizando os métodos referenciais em cinco classes:
Nível 1: Último Indiana Jones
Nível 2: Filmes do Nicolas Cage
Nível 3: a nova trilogia do Star Wars
Nível 4: "Avatar".
Nível 5: "The Room".



Cena: prólogo todo narrado na música, e a melhor cena do filme

Ninfeta Loira está sentada na cama, toda deprimida pq a mãe dela está pra morrer. Uma narração em voice-over (sempre bom ver que não se cansaram desse método de narrativa, não é mesmo?) nos conta sobre como todo mundo tem um anjo, e como esse anjo pode tomar várias formas, e blá blá blá. Você vai esquecer disso até o fim do filme mesmo.

Então a Mãe Da Ninfeta morre, o Padrasto Filho Da Puta fica feliz – até descobrir que ela deixou tudo pras duas filhas.
[Pausa: as duas filhas são menores de idade, o que quer dizer que não tem tanto problema assim. Ele tem pelo menos um ano (a Ninfeta tem 20) pra pensar em como resolver a situação. Mas é sempre melhor ficar bêbado e pirar, não é?]
O Padrasto Filho Da Puta mata a Irmã Menor Da Ninfeta, a Ninfeta fica louca do pó e a culpa sobre a morte da irmã recai sobre ela.


Cena: manicômio

PADRASTO FILHO DA PUTA
Ela surtou e matou a irmã... então vou mandá-la para um manicômio. Acho o máximo que nenhuma autoridade policial questiona nada disso, ou nem mesmo tenta falar com a Ninfeta pra saber a versão dela da história. Quem quer interrogar uma possível assassina hj em dia?

ENFERMEIRO CORRUPTO
Não se preocupe, ela vai ser bem cuidada aqui. Olha o tour (e por favor, preste atenção para as correlações que virão mais tarde, ok?): aqui temos o teatro – que é como chamamos a área comunal, e onde a Terapeuta Com Sotaque Russo faz seu trabalho. Olha ela lá, no momento, tratando da Menina Loira Com Cabelo Sujo. Mas nada disso importa, já que como combinamos, vamos lobotomizar sua filha por dois mil, não?

NINFETA LOIRA
(com a mesma expressão de desconforto vago no rosto que ela deveria ter patenteado)
...

[Então, do nada, o filme dá um 180°, em algo que confesso que me deixou momentaneamente perdida sobre o que estava acontecendo. Pois é, é bem depressivo quando você para e pensa caramba, não estou entendendo um filme chamado Sucker Punch.]


Cena: um bordel, creio

SWEET PEA/MENINA LOIRA COM CABELO SUJO
(vestida como a Ninfeta Loira, interpretando tudo o que a gente acabou de ver)
Olha só, até entendo o fetiche da órfã. Ou do paciente psiquiátrico. Mas lobotomia? É levar isso um pouco longe demais, não? A gente precisa excitar os clientes.

CAFETINA COM SOTAQUE RUSSO/TERAPEUTA COM SOTAQUE RUSSO
Vou ver o que posso fazer.

ENFERMEIRO CORRUPTO/GIGOLÔ COM BIGODINHO DE MOTOBOY
Sweet Pea, venha aqui. Quero que mostre o lugar pra Ninfeta Loira, que o Padre Nojento trouxe lá do orfanato. Sabe que vou vendê-la por muito dinheiro daqui a 3 dias? Pois é.

PADRASTO FILHO DA PUTA/PADRE NOJENTO
Cuide-se bem, minha filha.

SWEET PEA
Ai, estou ocupada sendo uma diva. Pede pra minha irmã menor, pode ser?

A irmã menor é a Rocket – única das strippers com cabelo curto. O que pede para uma explicação dos Clichês Por Trás Dos Cabelos Femininos Em Hollywood – Lição Básica:
Cabelos longos: sexy. Protagonistas, amigas putas da protagonista, pessoa responsável pela separação do casal principal, Bond Girls, etc.
Cabelos no ombro: responsabilidade. Bibliotecárias (cabelo normalmente preso em um coque, mas se solto , pode apostar que chega nos ombros), melhor amiga do protagonista, a moça de óculos que aponta como faremos para nos livrar dos aliens, etc.
Cabelos curtos no estilo vilã Russa: mal. Vilã Russa.
Cabelos bem curtos: sexy-rebelde. Protagonista que não se curva às leis da sociedade, amiga que tem uma banda de rock, etc.
Sem cabelo: dor. Paciente de câncer ou alguma outra doença terminal. Ou a Natalie Porter em V de Vingança.


Cena: oh, como é difícil a vida em um bordel, não? Quem iria imaginar.

ROCKET
(ajudando na cozinha, decide que ia ser uma boa ideia roubar um pouco de chocolate. Sem surpresa, o Cozinheiro Gordo percebe o que está acontecendo e a ataca. Hm, não que seja uma especialista, mas pensava que na hierarquia de um bordel uma puta valia mais do que um cozinheiro... então ele não está meio que arriscando o emprego fazendo algo assim?)

NINFETA LOIRA
(escuta gritos, decide investigar e diz sua primeira fala no filme inteiro:)
Larga ela, porco.

[Seguindo a lei milenar do Não Quero Aprofundar Relacionamento Com Roteiro Então Bora Forçar Uma Cena De Salvamento De Vida, elas imediatamente são melhores amigas.]


Cena: primeira dança mágica da Ninfeta Loira

STRIPPER ASIÁTICA QUALQUER
Blá blá blá não gosto daquela menina blá blá blá

ROCKET
Ela só está assustada.

A MENINA DO HIGH SCHOOL MUSIC
Tb não gosto.
(pausa)
E vocês notaram que eu sou a principal do High School e que estou fazendo um filme controverso, onde uso lingerie o tempo todo? Eu cresci, gente. Cresci! Por favor, liguem meu agente e me ofereçam outros papeis. Por favor, por favor!

CAFETINA COM SOTAQUE RUSSO
Você aí, Ninfeta Loira. Venha até o meio desse teatro e dance pra gente. Pq aqui todo mundo tem que dançar pra continuar vivendo.

NINFETA LOIRA
Hm... mas não estou por aqui só por enquanto? Tipo, achei que iam me vender em 3 dias.

CAFETINA COM SOTAQUE RUSSO
(praticamente textual)
Você tem as armas! Use! Lute pela sua vida.

NÍVEL DE RIDÍCULO DA CENA
Nível 2 (Filmes Nicolas Cage)

NINFETA LOIRA
Não, sério. Eu já tenho comprador. Não preciso usar minhas armas, ou o qualquer outro eufemismo que queria usar pro meus peitos, pra me manter viva.

CAFETINA COM SOTAQUE RUSSO
Dança logo!

[Então Ninfeta Loira fecha os olhos, e quando abre está em um mundo diferente – onde ela está com saia curta, barriga de fora e uma espada na mão. Legal que ela é um fetiche ambulante até no próprio subconsciente...]


Cena: Luta! Explosões! Calcinha! Armas!

VELHO (QUE ZACK SNYDER ACHOU SER) METAFÓRICO
O que você quer?

NINFETA LOIRA
Acho que quero sair daqui.

VELHO (QUE ZACK SNYDER ACHOU SER) METAFÓRICO
Acha?

NINFETA LOIRA
Putz, você vai ser um daqueles personagens que falam em metáforas que cheiram a inteligência, mas só enchem o saco mesmo das pessoas normais. Não vai?

VELHO (QUE ZACK SNYDER ACHOU SER) METAFÓRICO
Aham. Então, acha?

NINFETA LOIRA
Ta, ta, que seja. Eu sei que quero sair. Melhor agora?

VELHO (QUE ZACK SNYDER ACHOU SER) METAFÓRICO
Bom. Você vai precisar de mapa, fogo, faca, chave e um item misterioso. Quem diria que iríamos utilizar a ideia nem um pouco gasta de que pra narrativa poder seguir, temos que achar as Cartas Clow... Agora vai lá e gasta milhões de efeitos especiais lutando contra essas estátuas-ninjas, pode ser? E não se esqueça do close que vamos dar na sua saia.

NINFETA LOIRA
(faz tudo isso).

[Assim que ela derrota as estátuas-ninjas, ela volta ao mundo “real”, onde tudo mundo está espantando com a dança maravilhosa e hipnotizante que ela apresentou.]


Cena: se strippers fossem inteligentes, elas seriam médicas, não putas

NINFETA LOIRA
Enquanto estava dançando, entrei num universo paralelo e tive uma ideia de como podemos fazer para escapar daqui. Vamos precisar de mapa, fogo, faca e chave. Mapa pra que a gente possa saber a posição dos guardas, fogo pra criar uma distração, faca pra usarmos como defesa, e chave para... hm... passarmos pela porta. E tem um último item também, um item misterioso que não faço ideia do que seja, sendo tão misterioso e tal, e com certeza vai ser uma reviravolta no roteiro única e jamais pensada antes.

ROCKET, HIGH SCHOOL E ASIÁTICA QUALQUER
Mas que ótimo plano! Vamos todos escapar, yay!

SWEET PEA
Pera só um pouco aê. Isso pode dar muito errado. E aí todos nós morremos.

ROCKET
(textual)
Nós já estamos mortas.

DIRETOR E ROTEIRISTA ZACK SNYDER
(enxugando os olhos de emoção)
Isso é tão poético. E profundo. E fica ainda melhor qdo dito por uma puta em roupas íntimas.

NINFETA LOIRA
Agora que já decidiram que vão me obedecer... quem vai pegar o mapa da sala do Gigolô Com Bigodinho De Motoboy? Vou dançar mais tarde, e os poderes mágicos da minha habilidade de mexer o quadril vão manter o cara ocupado por um tempo.

SWEET PEA
Tá, eu faço. Mas sob protesto.

[Aí Ninfeta Loira dança – fechando os olhos e entrando no mundo paralelo dos fetiches doentios. Dessa vez, O Velho Metafórico (que é o “comandante” de todas as missões daqui pra frente) diz que as meninas têm como missão recuperar um mapa das mãos de um exercito de alemães nazistas zumbis movidos a vapor.
...
Quem pensa nessas coisas, Deus meu? Ah, mas é claro que os nazistas representam a opressão da sociedade machista e capitalista para com as mulheres, e o fato deles serem zumbis mostra que essa repressão nunca vai morrer, não importa o quanto você atire ou jogue granada nelas. E o vapor é um símbolo do... hm... do fato de que os representantes desse ponto de vistas são vazios e ocos, cheio de convicções que não são nada mais do que fumaça.
Todo mundo tomar naquele lugar, viu.]

GIGOLÔ COM BIGODINHO DE MOTOBOY
(volta pro escritório dele, td bobo com a dança hipnótica da Ninfeta. Ele encosta na máquina de Xerox que convenientemente tinha num canto e... surpresa! Ela ainda está quente! Então ele vai checar a integridade do mapa que ele deixa exposto na parede de trás da sua mesa, sem nem mesmo uma tampa de vidro na frente e percebe que alguém fez um furo no lugar errado na hora de recolocá-lo na parede.)
Há algo de podre no reino da Dinamarca...


Cena: fogo

NINFETA LOIRA
Bom. Estamos na metade do filme! Agora, temos que pegar o isqueiro do prefeito, que vem aqui hoje a noite me ver dançar. Claro que seria mais fácil e menos na cara roubar um fósforo da cozinha, mas... Asiática Qualquer, ele é seu cliente, então é sua vez de ser a principal.

ASIÁTICA QUALQUER
Hm... vou tentar.

HIGH SCHOOL MUSIC
Eu cresci e agora sou mulher...

[Adivinha o que acontece agora? Pois é, a Ninfeta Loira dança, entra no mundo paralelo, onde dessa vez ela e sua gangue tem como missão pegar duas pedras de dentro de um dragão-bebê, protegido por um exército de coisas que parecem Orcs].
Milhões e milhões gastos em efeitos especiais depois...]

ASIÁTICA QUALQUER
Consegui, consegui! Olha, o isqueiro dourado!

NINFETA LOIRA
Não disse que ninguém resiste a minha dança mágica? Agora, vamos esconder os itens debaixo da gaveta do nosso camarim e...

GIGOLÔ COM BIGODINHO DE MOTOBOY
(aparece)
Bom, o isqueiro do prefeito sumiu. Vocês não acharam mesmo que ninguém ia notar uma coisa dessas, não é? Sei que estão tramando alguma coisa, então é melhor pararem por aqui.

SWEET PEA
(gritando, assim que ele saiu)
Está vendo, é melhor abandonar esse plano ridículo de fuga agora?

NINFETA LOIRA
(também gritando. Que bom que o camarim do bordel é a prova de som, do contrário todo mundo já teria ficado sabendo o que elas planejam fazer, sabe.)
Temos que ir até o final!

ROCKET
Preciso sair daqui. Eu vou até o final, irmã, você indo ou não.

HIGH SCHOOL MUSIC
... tenho que encarar com muita fé. Seria o bastante.

Cena: faca

[Na cozinha, Asiática Qualquer, Rocket, Sweet Pea e Ninfeta Loira ligam um rádio. Ninfeta Loira começa a dançar e o Cozinheiro Gordo automaticamente senta e se desliga da realidade. Dessa vez, as Super Strippers precisam desativar uma bomba antes que ela chega à cidade, lutando contra robôs no processo.
Deus do céu. É só o que eu digo.
Está tudo indo muito bem, até que o rádio para de pegar. Nesse momento, Ninfeta Loira volta ao mundo real – consequentemente parando de dançar e libertando o Cozinheiro Gordo do feitiço mágico bem na hora que a Rocket está pegando a faca da cintura dele.
Ah, gente, sério mesmo que as únicas facas na cozinha inteiras estão na cintura do cara? Não tem nenhuma gaveta de talheres em lugar nenhum??
De qualquer forma, o Cozinheiro Gordo fica puto, faz menção de atacar e... a música volta.
Uau. Ninfeta Loira volta a dançar no meio de uma situação tensa dessas. Beleza, então. No mundo dos fetiches doentios, Rocket salva a irmã e fica para trás, explodindo com a bomba.
Ninfeta Loira finalmente para de dançar (né?) e vemos que o Cozinheiro Gordo matou Rocket.]

ROCKET
Promete pra mim que vai fugir, Sweet Pea. Promete que vai voltar pra casa.
(soluço emocionado)
E diga a nossa mãe que eu a amo...

DIRETOR E ROTEIRISTA ZACK SNYDER
(assoa o nariz)
Eu sou muito, mas muito bom.

NÍVEL DE RIDÍCULO DA CENA
Nível 3 (Trilogia Star Wars)

GIGOLÔ COM BIGODINHO DE MOTOBOY
(surgindo do nada)
Mas o que diabos você acabou de fazer? Olha só, é tudo culpa sua, Ninfeta Loira. Não sei pq, mas é. E prendam a Sweet Pea na dispensa, que ela está histérica. Vamos embora daqui.


Cena: chave

[Todas as strippers vivas e não-trancadas-na-dispensa estão reunidas, com cara de choro. Exceto pela Ninfeta Loira, que continua com sua expressão de vago desconforto no rosto – uma que ela mantém durante o filme todo. Impressionante, sabe. Keanu Reeves, aka Mestre De Uma Expressão Só, ficaria orgulhoso.]

GIGOLÔ COM BIGODINHO DE MOTOBOY
Espero que estejam felizes, todas vocês. Queriam me apunhalar pelas costas? Eu, que sou o patrão, o protetor de vocês? Queriam escapar daqui, é isso?
(vai até a lousa onde a gênia da Ninfeta escreveu os itens e os expõe pra td mundo)
É isso aí. Eu sei do plano todo. Nunca daria certo, suas vagabundas.

HIGH SCHOOL
Isso não vai ter fim, nem que eu quiser você sai de mim...
Tá, sem motivo nenhum vou gritar aqui no meio que fui eu quem dedurou o plano todo pra Cafetina Com Sotaque Russo – mas ela prometeu não contar pra ninguém e me ajudar...

CAFETINA COM SOTAQUE RUSSO
(falando pro Gigolô)
Por alguma razão estou surpresa por você estar agindo com tanta hostilidade.

GIGOLÔ COM BIGODINHO DE MOTOBOY
Vamos acabar logo com essa p****.
(atira e mata a High School e a Asiática Qualquer).
Agora, Ninfeta Loira... você vai me render muito dinheiro. Isso seria razão suficiente pra não te matar. Mas de repente decidi que não quero mais vender meus brinquedos para os outros, quero brincar também.

NINFETA LOIRA
O que te impede de brincar comigo e me vender depois? Tenho 20 anos, morava num orfanato com um Padre Nojento... acha mesmo que sou virgem?

GIGOLÔ COM BIGODINHO DE MOTOBOY
Cala a boca e me dá um beijo.

[Eles lutam, Ninfeta pega a faca que estava debaixo da gaveta e apunhala o Gigolô, roubando a chave que ele carregava no pescoço.]


Cena: que coisa mais chocante, nem sei o que pensar desse item misterioso.

[Ninfeta Loira liberta Sweet Pea da dispensa. Elas botam fogo em uma sala pqna, e correm pros portões – que abrem automaticamente uma vez que o alarme de incêndio dispara. Quando chegam lá fora, percebem que há um número de homens de ternos entre elas e o portão de ferro.]

NINFETA LOIRA
Mas não pode ser... eu fiz tudo certo. Peguei todos os itens... a não ser que...

DIRETOR E ROTEIRISTA ZACK SNYDER
É agora... é agora...

NINFETA LOIRA
... é claro. Eu sou o item misterioso. Eu tenho que me sacrificar pra que você possa escapar.

ROTEIRISTA XXXXX
Isso! Isso!
(tem um orgasmo)
Deus, eu sou mesmo um gênio!

NÍVEL DE RIDÍCULO DA CENA
Nível 4 (Avatar)

SWEET PEA
Não... não posso fazer isso...

NINFETA LOIRA
Você é a esperança de um Sucker Punch 2 e todos sabemos que sequências bem piores que essas já foram feitas em Hollywood, então não é assim tão impossível.

[Então Ninfeta Loira distraí os homens enquanto Sweet Pea foge.]


Cena: retorno triunfal da narração voice-over

VOICE OVER
(fala alguma coisa qualquer sobre anjos e sei lá mais o quê. Não lembro, e não importa. Era, pra combinar com o resto do roteiro desse filme, bem ruim.)

SWEET PEA
(de vestido normal, que ela deve ter roubado de algum lugar, tenta entrar num ônibus)

POLICIAL
Mocinha, será que podíamos falar com você?

VELHO (QUE ZACK SNYDER ACHOU SER) METAFÓRICO
(como motorista do ônibus)
O que querem com ela? Deixa eu dizer que ela está viajando comigo desde ________, e só saiu agora pra usar o banheiro. Não é mesmo, minha querida?

POLICIAL
Bom, acho que vou aceitar a palavra de um motorista e deixar essa investigação pra lá. Desculpe o incômodo, boa viagem.

SWEET PEA
(entrando no ônibus)
Esse não vai ser o gancho pra uma sequência, vai? Sei que a Ninfeta me disse que seria, mas...

VELHO (QUE ZACK SNYDER ACHOU SER) METAFÓRICO
Quem sabe? Não fizeram você lutar com múmias radioativas ou aliens gosmentos, não é? O mundo dos fetiches doentios é bem mais vasto do que qualquer um de nós imagina...


Cena: final/spoiler

[E tudo não passou de uma ilusão escapista de nossa protagonista, que estava o tempo todo dentro do manicômio – exatamente como mostrado no começo].
Chocante, não?
Bom, ela ajudou mesmo a Menina Loira Com Cabelo Sujo a escapar, e causou um incêndio, e esfaqueou o Enfermeiro Corrupto e tudo tals... mas nada disso importa mais, já que foi lobotomizada – o que, de alguma forma, faz com que ela mude de expressão facial: de Desconforto Vago para Conforto Vago. É uma mudança sutil, e não se sinta mal se não perceber. Anos de treino pra pegar uma coisa dessas.

DIRETOR E ROTEIRISA ZACK SNYDER
(tremendo de emoção)
Está vendo a metáfora? Esta vendo? Está vendo nos olhos vazios da Ninfeta? Está?


FIM

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Indicados Oscar 2011

E, mais uma vez, minhas férias produtivas pra caramba patrocinam o meu esforço de assistir os 10 indicados para Melhor Filme no Oscar desse ano. Tarefa que está cada vez mais difícil, principalmente quando vc vê como o fato deles terem dobrado o número de indicações tornou a tarefa bem mais dolorosa – assim, filmes que nunca chegariam lá estão indicados pela simples falta do que indicar, e eu me vejo obrigada a assistir coisas como “Minhas mães e meu pai” (primeira vez no universo em que o título nacional faz mais sentido do que o original) ou “127 horas”. Mas eu, como os sertanejos, sou antes de td um forte, e cheguei ao final desse epopeia.

Bom, aqui vai, graças ao piratebay, os indicados desse ano:

[Sabe de uma coisa excelente na premiação desse ano praticamente todos os filmes, com exceção de “A Origem”, tem menos de 2 horas. O que só posso agradecer a Deus.]


127 horas

(127 hours. Danny Boyle, 2010)


Juro que não sei. Sério mesmo. Não sei.
Ok, esquece isso. É claro que eu sei. Filme chato do caramba, pelo amor de Deus.
Olha, todos os anos nós temos ao menos uma indicação reservada para o filme que eu chamo de Osca Bait: normalmente, holocausto, mas uma história real inspiradora tb entra nessa conta. Na premiação desse ano, o ocupante desse lugar é 127horas, um filme que tem o James Franco preso em um buraco durante 80% do tempo.
Baseado na história de, bom, um cara que ficou preso num buraco por 127 horas, o filme tem só uma pequena falha: QUEM SE IMPORTA? É o James Franco. Ou seja, o duende verde em Homem Aranha. Vc vai chorar pq ele está com sede? Vai? Vai?
Tudo bem, tudo bem, estou sendo mais chata que o normal. Ele fez um trabalho decente de atuação, ainda mais levando em conta que é ele sozinho praticamente o tempo todo. Mas o que a galera esquece é que se vai fazer um filme calcado em grandes períodos de silêncio e a presença de apenas um ator, esse ator deveria ter uma pqna coisa chamada carisma. Carisma não anda de mãos dadas com uma boa atuação.
Exemplo 1: Tom Hanks em O Naufrágo. Boa atuação e bom carisma. Vc praticamente chora quando ele perde uma bola.
Exemplo 2: Will Smith em Eu sou a lenda. Atuação medíocre e bom carisma. O filme pode não prestar, mas em nenhum momento vc fica com sono. Pontos pra ele.
Exemplo 3: James Franco em 127 horas . Boa atuação e carisma negativo. Vc simplesmente não consegue se importar o suficiente com o personagem pra ligar que ele está sofrendo.
Sem contar que o filme quase não te conta nada sobre o personagem pra vc sofrer com ele. A bem da verdade é que td o que sei sobre o personagem do James Franco é que ele é um idiota (não avisou pra ngm que ia sair pro meio do nada – genial) e que ele não tem mais namorada. E só. Não o suficiente pra que me envolva emocionalmente, sinto muito.
Sabe qual é a melhor coisa que posso falar sobre esse filme? Tem 1h30min de duração.

Indicações: Melhor Filme, Melhor Ator Principal, Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Edição, Melhor Trilha Sonora, Melhor Canção Original.

Pode levar, dependendo do humor de Deus: Melhor Roteiro Adaptado e Melhor Edição. Não dou palpite em prêmio de trilha sonora/canção, pq nunca acerto.




A Origem

(Inception. Christopher Nolan, 2010)

Sou a primeira a confessar aqui que esse é o meu filme favorito pro Oscar desse ano.
Racionalmente, concedo que pode não ser o melhor filme da lista. Grande coisa. Esse foi o filme do qual eu mais gostei, e fazia tempo que não gostava tanto assim de alguma coisa, me dá licença? Tem uma carta de amor disfarçada de crítica dele no meu blog (duas vezes, na verdade, mas quem está contando?) e é bem por aí mesmo.
O fato de não estar indicado pra melhor diretor já nos mostra o inevitável: não, A Origem não vai ganhar no Oscar desse ano. Pq? Uma possível resposta é pq existem filmes melhores concorrendo (pode ser verdade, desde que vc não venha me dizer que A rede social é um deles, faça-me o favor. Agora, se for O Discurso do Rei, sem argumentos.) Outra é pq ficou popular demais, e Deus sabe que td o que é popular demais não presta. Outra é pq ninguém aguenta mais dar prêmios pra filmes com o Leonardo DiCaprio.
Seja como for, acho muito difícil, quase impossível, que A Origem ganhe melhor filme. Bom, tem mais chances do que 127 horas, mas ainda assim... Talvez, e esse é um talvez relativamente grande, ganhe melhor roteiro original. Ao meu ver, esse filme TINHA que ganhar esse prêmio mais do que qquer outro, mas o que eu sei? Mas deve ir pro Discurso do Rei também, logo...
No fim das contas, se ganhar, vão ser os prêmios “menores”: fotografia, direção de arte, efeitos visuais, coisas do tipo.
[Ah, e como não foi indicado pra edição, nunca saberei.]

Indicações: Melhor Filme, Melhor Roteiro Original, Melhor Fotografia, Melhor Direção de Arte, Melhor Trilha Sonora, Melhor Edição de Som/Montagem Sonora, Melhor Mixagem de Som, Melhores Efeitos Visuais.

Se levar alguma coisa, pode ser: Melhor Roteiro Original, Melhores Efeitos Especiais, Melhor Direção de Arte.




Cisne Negro

(Black Swan. Darren Aronofsky, 2010)

Concorrendo lado a lado com O Discurso do Rei pra ver qual dos dois é o filme com mais favoritismo, Cisne Negro conta a história de uma bailarina que, na busca de conseguir o papel principal no Lago dos Cisnes, e começa a ficar um tanto quanto “impressionada” na sua busca pelo seu cisne negro interior. A bailarina em questão é a Natalie Portman, que vai ganhar o Oscar de Melhor Atriz. Bem merecido – mesmo detestando a menina depois de atuar na trilogia caça-níquel de Star Wars e em V de Vingança, achei um trabalho altamente convincente.
Devo dizer que não entendi pq não recebeu uma indicação de melhor roteiro original. A premissa do filme me parece tão boa. Minhas mães e meu pai ganha essa indicação e Cisne Negro não? Tem horas que acho, de verdade, que a academia está curtindo com a nossa cara. (Acham que vou esquecer da pré-indicação da música do JUSTIN BIEBER? E daí que não deu em nada? Como pensaram em pré-indicar aquilo?)
Gostei muito desse filme, bem mais do que pensei que gostaria. Concordo com aqueles que dizem que poderia ser mais sutil, mas estamos falando de Aronofosky (Réquiem para um sonho), acho que ele nem sabe como soletrar essa palavra. E, não me interpretem mal, sutil no sentindo de que (SPOILER ALERT/) ele não precisava ter realmente mostrado ela virando um cisne negro no final do balet pra que eu entendesse o que estava acontecendo. Oura coisa boa é o tamanho (menos de duas horas virou meu novo pré-requisito pra gostar de um filme, não tenho mais a paciência de anos atrás), e o fato de que o desenvolvimento do personagem acontece no tempo certo, nem muito pouco (aí vc não entende patavinas), nem demais (aí vc cansa).
Superestimado? Talvez. Depende com quem vc falou antes de ver o filme, é claro. Se vai ganhar o prêmio máximo? Mais chances do que A Origem, menos do que O Discurso do Rei. Mas vai saber? Eles REALMENTE gostam de zuar com a nossa cara na cerimônia do Oscar.

Indicações: Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Atriz, Melhor Fotografia, Melhor Edição.

Vai levar Melhor Atriz. Provavelmente vai levar Melhor Fotografia.




O Discurso do Rei

(The King’s Speech. Tom Hooper, 2010)

Favorito juntamente com O Cisne Negro, esse é o filme que eu realmente vejo ganhando pelo menos dois dos prêmios maiores: Melhor Filme e Melhor Ator Principal (Colin Firth todo trabalho na gagueira).
Contando a história inspirado real (oh, really?) do filho mais novo do rei da Inglaterra, e sua tentativa de superar a gagueira ao lado de seu fonoaudiólogo nada convencional. Exceto que o filme é bom. Muito bom mesmo, na verdade. E sabe pq o filme é bom? Pq o roteiro dele é excelente, pq os atores arrasam e pq fazia muitos anos desde a última vez que vi desenvolvimento de personagem feito de maneira tão... certa.
(Sim, tenho um fraco por desenvolvimento de personagem. O que posso dizer? É tão raro, que quando acontece, o filme tem o meu amor imediato. Viva personagens não bi-dimensionais!)
Meu único problema com as indicações desse filme (o resto me parece bem merecida) é a Helena Bohan Carter estar indicada para Melhor Atriz Coadjuvante. Não é q ela não está bem, mas... é bem normalzinho-nada-de-especial. Sem contar que ela nem aparece tanto assim no filme – deve ter conseguido o tempo mínimo pra indicação na risca.
Fora isso, esse filme pode ganhar sem que eu precise bater a minha cabeça na parede contra a estupidez da humanidade. Claro que ainda sou mais A Origem, mas nunca disse que era imparcial, disse?

Indicações: Melhor Filme,Melhor Diretor Melhor Ator, Melhor Ator Coadjuvante, Melhor Atriz Coadjuvante, Melhor Roteiro Original, Melhor Trilha Sonora, Melhor Edição de Som, Melhor Mixagem de Som, Melhor Direção de Arte, Melhor Fotografia, Melhor Edição/Montagem, Melhor Figurino.

Vai levar Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Ator. Deve levar Melhor Roteiro Original. Sei lá o resto.



Toy Story 3

(Toy Story 3. Lee Unkrich, 2010)

Olha aí, a Pixar humilhando todas os outros estúdios produtores de animação. De novo. Deve estar começando a ficar chato trabalhar pra, sei lá, Dreamworks.
Não preciso nem aponta que esse filme, por melhor que ele seja (e ele é mto bom), só está nessa lista por causa do aumento de vagar de 5 pra 10. Vai ganhar, é óbvio, o prêmio de Melhor Animação (nem precisava escrever isso, precisava?).
Esse filme entrou na minha lista de melhores do ano passado, e mesmo tendo visto mais filmes agora do que quando fiz a lista, ele ainda continuaria lá. Pq pegar um filme, tecnicamente infantil, com personagens que não só são digitais como representam brinquedos, e fazer com que faça sentido, seja bem feito, seja emocionante, coerente e que haja (me perdoem, sei que estou repetindo isso, mas...) desenvolvimento de personagem... é quase mágico. Dessa sequência da Pixar, nenhum ganha de Wall-e, mas que esse chega perto, chega.

Indicações: Melhor Filme, Melhor Animação, Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Canção Original, Melhor Edição de Som.

Vai levar, apostando a minha alma, Melhor Animação.




A Rede Social

(The Social Network. David Fincher, 2010)

E finalmente chegamos ao Jonas Brother dessa lista (no sentido da superestimação, tá, gente. Só isso). Gostei desse filme, como já disse mais pra trás nesse blog. Gosto do diretor, o ator principal está muito bem – o que lhe rendeu uma indicação que nunca vai ganhar, uma pena ter que competir com Colin Firth gaguejando –, e a edição está mesmo muito interessante. Mas, Deus, em que universo esse filme bate A Origem, Cisne Negro, e Discurso do Rei como melhor filme no Globo de Ouro?
Não no meu, isso está claro.
Antes do Globo de Ouro, esse filme era bom-normal na minha vida. Agora, esse filme é bom-superestimado-pra-caramba. Ninguém mais pode falar do Cisne Negro, não qdo Fincher ganha tudo contando a história do criador do Facebook.
Tenho esperança que o Oscar não seja tão injusto a ponto de dar prêmios pra ele – fora o de Melhor Edição e o de Melhor Roteiro Adaptado. Esse é um daqueles filmes que merece, sim, ser indicado, mas que nunca é bom o suficiente pra ganhar de todos os outros.
Ainda assim, é melhor do que 127 horas...

Indicações: Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Ator, Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Trilha Sonora, Melhor Mixagem de Som, Melhor Fotografia, Melhor Edição.

O que merecia levar: Melhor Edição, Melhor Roteiro Adaptado.




Minhas mães e meu pai

(The Kids Are All Right. Lisa Cholodenko, 2010)


E eu achando que 127 horas fosse o pior que o Oscar desse ano fosse me oferecer.
(pausa enquanto respiro fundo e penso nas coisas que poderia ter feito com essas 1h40min da minha vida que nunca mais receberei de volta...)
A única coisa que me faz pensar em como esse filme recebeu essa indicação (fora, é claro, o aumento do número de vagas) é o fato de rodear em torno de um casal lésbico. Veja bem, gay já é carne de vaca. Lésbica é o que rola. Aguarde o ano que vem, quando um transexual e um pansexual formarão uma família da pesada, se envolvendo em altas aventuras em um clima de muita azaração.
Falando sério, agora. Esse filme foi doloroso. Não tem outra palavra pra descrevê-lo. Um amigo tinha visto antes que eu e me resumido o filme perfeitamente, em duas palavras: NADA ACONTECE. Um casal lésbico tem filhos que querem procurar o pai biológico. Eles vão atrás do cara... e nada acontece. Eles conhecem o cara... e nada acontece. O amigo idiota do filho tenta mijar num cachorro... e nada acontece. A filha fica bêbada... e nada acontece. As mães e o pai se conhecem... e nada acontece.
AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAH!
O filme tem um mérito, que é tb sua maior falha: ele é parecido demais com a vida real. Os diálogos são reais a ponto de marcarem com precisão aqueles segundos de silêncio embaraçoso e aquelas risadinhas sem graça que as pessoas dão qdo não tem o que dizer. Mas o cinema não é a vida real, e nem deveria ser. Qdo chega muito perto, o q vc tem é um filme que te dá sono. Afinal, se quisesse ver pessoas sentadas em torno de uma mesa conversando sobre o vazio e inconfortáveis, é fácil: junta a família.
Mark Ruffalo e Annete Bening ganharam indicações por algum milagre meteriológico. Duvido que ganhem, mas quem se importa? Podem até ter atuado direito, vai saber. Estava ocupada demais tentando manter meus olhos abertos pra reparar.
Preciso de chocolate depois desse filme. Deus.

Indicações: Melhor Filme, Melhor Atriz, Melhor Ator Coadjuvante, Melhor Roteiro Original.

O que merecia levar: um tiro. O que vai levar: nada. Pelo menos isso.



O vencedor

(The fighter. David O. Russell, 2010)

Marky Marky, provando que tem uma dicção ainda pior do que o do Christian Bale, como o irmão de um ex-lutador-prodígio-viciado-em-craque e sem a menor personalidade (até agora não sei se o personagem não tem personalidade mesmo ou se o Mark Walbergh simplesmente é incapaz de atuar. Ou as duas coisas.) em sua busca pela vitória.
Considerando que esse é um daqueles filmes baseado em uma história inspirado real (quantos já deu esse ano? três?), ainda por cima sobre um esporte, acredito que é bem mais interessante pra quem é fã do esporte em questão – no caso, luta. Pessoalmente, filmes biográficos não são mto meu estilo, mas mesmo assim esse estava indo até que bem – basicamente por causa da atuação do Christian Bale (né? Estou tão chocada qto vc que estou realmente elogiando o Bale, mas td bem) e da mãe/agente dos dois (Melissa Leo – Oscar de Atriz Coadjuvante nela. Mto boa). Até... até que ficou ruim. Sessão-da-tarde-ruim. Karate-kid-ruim. É visível quando o filme cruza a linha do “okay, até que está bom” pra “meu Deus, sério mesmo?”
O roteirista simplesmente cansou de desenvolver o personagem e decidiu que uma pessoa vê o filho dela chorando na TV e imediatamente se livra de um vicio de décadas em craque. Sem contar o romance absurdo e imediato do Mark Walbergh e da Amy Adams. Sem contar a absoluta falta de QUALQUER SENTIMENTO/EXPRESSÃO na atuação do próprio Marky Mark. E vou parar por aqui.
Olha, em geral, o filme é assistível. E Melissa Leo realmente faz com que valha a pena (a penca de irmãs são ótimas também). Provavelmente leva os prêmios de Melhor Ator e Melhor Atriz coadjuvante. E já está bom, né?
[E qualé a da quantidade de camisas suadas nesse filme? Uma por cena, pelo menos.]

Indicações: Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Ator Coadjuvante, Melhor Atriz Coajuvante (Amy Adams e Melissa Leo), Melhor Roteiro Original, Melhor Edição/Montagem.

Deve levar: Melhor Ator Coadjuvante, Melhor Atriz Coadjuvante (Melissa Leo).



Bravura Indômita

(True Grit. Joel e Ethan Coen, 2010)

E preenchendo o Lugar Reservado Para O Filme Dos Coen do ano (juro que não sei qual é esse amor absurdo que os americanos têm por esses irmãos)... A bem da verdade é que não tinha nem mesmo ouvido falar desse filme antes de sair a lista de indicados do Oscar. O que não quer dizer lá muita coisa, só que ele não passou pelo hype.
O estilo do filme é faroeste. Sério mesmo. Faroeste. Coisa que eu não via desde... desde que vi Nos tempos das diligências com o meu pai. Não tenho exatamente nada contra o gênero, embora não seja o meu favorito, então pensei que a coisa podia ser ao menos entretente. E, sabe, Matt Damon, menos de duas horas...
A história é basicamente um homem a procura de vingança pelo Velho Oeste. Só que ao invés de um homem, temos uma menina de 14 anos. O filme abre com uma narração que basicamente te conta o final do filme (SPOILER/), e como vc sabe que quem está narrando é a protagonista, isso acaba totalmente com a tensão que poderia ser provocada pela cena, perto do fim, qdo ela é picada por uma cobra. Tipo, ela está viva. Vc sabe que ela está viva pq ela esta contando a própria história. Logo, pra que se preocupar se ela pode morre ou não qdo vc SABE que ela está viva?
De qualquer forma, não vejo nada nesse filme que o elevaria pra essa indicação, exceto o nome dos diretores. Ele não é ruim. Mas também não é nada demais. É tipo aqueles filmes que vc assiste sabendo que vai esquecer da existência dele quatro segundos depois de sair da sala do cinema. Não tem um diálogo memorável, uma cena memorável, uma fala memorável, um qualquer coisa memorável. Ele é o sétimo eliminado da quinta edição do Big Brother Brasil da lista do Oscar desse ano.
Não foi uma total perda do meu tempo, mas ese é o filme com o segundo maior número de indicações, sabe. Era de se esperar que fosse BEM melhor do que é de verdade.

Indicações: Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Ator, Melhor Atriz Coadjuvante, Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Edição de Som, Melhor Mixagem de Som, Melhor Direção de Arte, Melhor Fotografia, Melhor Figurino.

Olha, devia levar nada não. Mas vai saber. Americanos morrem pelos Coen.




Inverno da Alma

(Winter’s bone. Debra Granik, 2010)

Último filme da minha lista, o último que assisti e o filme mais X dentre os dez. sim, pq não só não ouvi UM NADA sobre esse filme, como nem mesmo a diretora me era familiar ao primeiro olhar (e continuou assim depois de entrar no imdb. Não conheço mesmo). E tem uma boa razão pq ngm está falando desse filme…
Tá, tudo bem. Não é bem assim. A bem da verdade é que esse filme é bem melhor do que uma boa parte da lista desse ano (127 horas, Minhas mães e meu pai, Bravura Indômita, O Vencedor). Mas é mto, mas mto monótono de se assistir. Conta a história de uma adolescente qe precisa achar o pai foragido da justiça, caso contrário perderá a propriedade onde vive com os dois irmãos menores e a mãe doente.
Comovente, não? Até poderia ser, exceto que a mãe doente aparece em duas cenas, e as crianças menores atuam como bonecos de cera (e aparecem em quatro cenas), então vc não liga mto pra eles. Mesmo sem se importar com os personagens em si, a mera ideia abstrata de alguém ter que proteger a família deveria ser o suficiente pra te deixar envolvida na busca da garota, e algo me diz que se a atuação dela não fosse tão bege, ate que poderia ter funcionado. De qquer forma, o filme é interessante, mesmo que não tenha conseguido prender tanto a minha atenção assim. Assista em um dia em que a falta de trilha sonora não vá te incomodar particularmente (silêncio reina até alguém decidir tocar country. pois é).

Indicações: Melhor Filme, Melhor Atriz, Melhor Ator Coajuvante, Melhor Roteiro Adaptado.

Deve ganhar: um abraço.